Senti estremecer
A base que o pó me fez
Algo de enlouquecer
Escorreu o pesar em minha tez

Molhei minha face
Por ver-me fracassado
Meu sorriso era disfarce
Ao perceber que estava abalado

Alicerçar-se ao que é barro
Traz sensação de andar em corda bamba
É como um barco furado
E águas transbordarem suas entranhas

Quero derrubar este meu muro
O qual não deixa-me espelhar o infinito
Criei barreiras no meu próprio mundo
E não consigo ver em mim o que é bonito

Que abale os alicerces
Edificados sem sabedoria
Os quais fizeram-me sentir na pele
Minha trajetória mais fria

O pó esvanece ao vento
E em meus pensamentos veio a pairar
De que vale viver de lamentos
E ainda um dia minha alma findar?

Foi então que descobri em meu imo
A luz que o céu enviou-me
Para clarear meu caminho
O braço de Deus apossou-me

Ditou em meus ouvidos
Onde devo me alicerçar
Tendo a rocha em meu interno infinito
Base que não faz abalar

Então que caia por terra
Tudo o que não é meu
Que minha alma vença esta guerra
E esta luz ilumine meu breu

Quero ter a força de um guerreiro
Que não teme a nada que acaba
Nesta terra sou forasteiro
Chegarei em minha nova jornada

Por Patricia Campos