Alva em alma
Orvalho amanhecido
Deitou na palma
Seu abrigo aquecido

A noite aquietou-se em sono
Arregalou o olhar com a manhã
Na tela noturna pintou seu sonho
Seu fruto com gosto da maçã

Colheu-se
Entregou-se
Acolheu-se
Libertou-se

Apreciou o sumo celeste
Afundou-se em lume
Esquecera seu eu terrestre
Voou com os vagalumes

Desprezou o luar
E o azul marinho desbotou
Azul clarinho era mar
E em suas ondas mergulhou

Transbordou a verdade em si
Pairou feito canoa
Em águas tranquilas ouviu o bem-te-vi
E na tez sentiu uma fina garoa

Era o céu que o banhava
Trazendo frescor ao seu deserto
Em gritos internos clamava
Por seu alcantil interno

Quero amanhecer
Tornar dia de sol
Os corações aquecer
Ser canto de rouxinol

Quem sabe levar leveza
Ser exemplo de transformação
Mudar minha natureza
Fazer do pó extinção

Só assim desprezarei o luar
E o azul marinho desbotarei
Azul clarinho será meu mar
E em suas ondas mergulharei

Por Patricia Campos