Esta é uma biografia
De uma alma que ficara vazia
Que um dia deixou de ser dia
Eternizando-se em noite fria

Quando viu
Não mais viu nem sentiu
Era apenas calafrio
Naquele lugar sombrio

Virou lembranças
Mesmo sem poder virar-se
Queria voltar ser criança
Mesmo que não brincasse

Seu mar secou
Flor murchou
Espinho que predominou
Seu peito não mais tocou

Não se ouve o batucar
Não há mais voz pra cantar
Saudade começa apertar
Da vida, e não do que era seu lar

Bem disse o céu
Choro preso e o ranger do dente
Por teres abraçado ao véu
O silêncio alastra estridente

Não houve esmera
A vida escapou dentre as brechas
Não cuidou da sua casa interna
E ao dar-se conta, já era

Agora hiberna
Não importa-se mais com o que era
O que tinha em sua janela
Não passava de pobre quimera

Saudade eterna
Porque não abriu sua terra?
O broto da vida eterna
Não achou lugar para guerra

Já estavas vencida
Pelo pó que serviu como sina
Restou-lhe a dor da despedida
E agora nua e despida

Por Patricia C.