É bom que doa, a dor nos traz o crescimento, quando a sabedoria ecoa ensina-nos o desprendimento. É como arrancar um braço, não há como não gritar, mas ao amor faz-se em laço, aquele que aprende a amar.
É como apalpar uma ferida inflamada, sem antes anestesiar, a dor torna-se muitas vezes inconsolada, mas só há um caminho a trilhar. Se não há dor, não há cura, não há como remediar o rancor, se não abrir sua atadura. É preciso escancarar, ver bem qual é a infecção, não pode apenas anular o que há no profundo do seu coração.

As raízes da dor nos rasgam ao ponto de pingar escarlata, sinônimo que se consagram as almas que não querem ser lagartas, antes querem voar como as borboletas, conhecer de fato a liberdade, poder beijar as violetas, com a hermenêutica da intensidade. Então que doa, mesmo que seja lentamente, que seja fina igual garoa, ou tempestade com enchente, mas que cure minha alma, e leve pra bem longe toda a minha dor, que descanse o meu imo em palma, nas mãos celestes do meu Criador.

Por Patricia Campos