Meus pés cansados, minha boca seca, os pensamentos sufocados fazem da morte intrínseca. Seria o fim, o meu fim? Talvez fosse, enfim, meu próprio estufim. Meu interno borbulhava, era o ardor dos meus sentidos, meu olhar estraçalhava, eram os cacos dos meus medos incontidos, parecia estar tudo perdido, apenas mais um sonhador incutido. O declínio do meu abismo em ato de sucumbismo.

Não pode ser, não será, não há fim para quem quer viver, qual a base que me susterá? O pó cai, a vida se vai, a alma decai, e todo o sentido se esvai. Há de haver o sentido libertador, que nos tira a corrente que prende-nos ao opressor. No amor não há dor! A incompreensão é um compressor, que dilacera a alma influenciável. Dentro de um linguajar emissor o entendimento é fundamento indispensável. A sabedoria soletra, simples feito criança, seu aluno une letra a letra e juntando-as surge a esperança. Eu encontrei dentro de mim este caminho, que trouxe-me o sentido libertador, desenhei-o em meu pergaminho, o mapa que fez-me encontrar o amor, e então esvaneceu toda minha dor. Agora tenho asas e voo sobre meu deserto, no chão deixei histórias rasas, e todo o engano que um dia foi-me inserto. O sentido é único e o céu é a direção, chega deixa-me afônico, tal grandeza em meu coração.

 

Por Patricia C.