A chuva entre os dentes
O sal que adentrava seu imo
Amargura e sangue quente
Apagavam seu peito ínfimo

Um olhar de coruja
Atraía-lhe multidão
Via-se sempre nua
Só, com o seu coração

Sentiu o calor frio das pessoas
A vida é quem aquece
Na alma pensamentos voam
E ao teu lado está quem te esquece

Ouvia falar do amor
Parecia uma coisa boa
Mas é o tocar da dor
Que em seu interno ecoa

Grande caverna
Triste em negrume
Ferida aberta
Por falta de lume

Melhor ser só e ser sua própria companhia
À que viver cercado de frieza
Abraçar a alma traz vida
Faz do fraco à fortaleza

Sozinho consigo mesmo
Ouvindo o silêncio falar
Desvendamos em nós segredos
Que não devíamos ocultar

Enfrentar medos
Ser valente na guerra
Encorajar-se a tempo
Destemidos em nossa terra

Um dia tudo isto esvai
E não haverá mais paisagem
A beleza da poeira cai
Metaforeamos uma passagem

Dentro de nós há quem queira
Que sejamos alva por toda a eternidade
Não fique nesta estrada à beira
Intensifique-se na verdade

Não sinta-se só
Faça-se um com o eterno
Um dia há de cair o pó
E há de sermos o que espelhar em nosso interno

Por Patricia Campos