Acordei, sentei e chorei! Fui despertada pela realidade. Olhei o mundo e me ausentei, minha escolha, minha liberdade. Queria ter acordado e ter enxergado justiça, quem dera pudessem amar-se, uns aos outros e a própria vida. A compreensão traria remanso, o sossego à cada alma, tranquilidade aos quatro cantos, deitados em meio a palma. A divisão seria rotina, e a coerência a mesmice, uniformes em sabedoria, desde criança até a velhice. O amor seria cultivado, no interno de cada um, o conhecimento plantado e sua colheita seria comum.
Ah! Sonho meu…
Quem dera fosse assim, no entanto meu olhar entristeceu, e só consigo enxergar o fim.
Viraram as costas para Deus, não sentem mais os irmãos, o coração se perdeu, e ninguém estende suas mãos.
Em arrogância vestiram-se, de soslaio olham os humildes, no salto da soberba subiram, pisando as cabeças dos simples.
E assim passam seus dias frios, dormitando em seus invernos, com seus sonhos vazios, baseados em laços incertos.
Desprezaram a destreza, acolheram a avareza, não há lágrima a derramar, seu peso a fez secar. Escravos do senhor cifrão, seus corações vendidos, amaram a ilusão, estão todos corrompidos.
Sonho meu, sonho meu…
Quiçá fosse diferente…
Não importaram-se com Deus, e a cada dia estão mais descrentes.
Sonâmbulos da madrugada, acordem enquanto há tempo, só apossa da vida a alma que luta por entendimento. E quando este alcança, não dormita até encontrar, o lugar que repouse a criança, seu ser eterno no seu lar.

Patricia C.