Tenho ouvido em meu interno
Entre sonhos, olhares e ação
Som de águas do eterno
Pingando em meu coração

É o amor de várias formas
Demonstrando-me como é bom
Enxergar-me como a porta
Que abre pra imensidão

Nunca apreciei tanto o céu
Antes o olhava sem esboçar nenhum sentido
Hoje o mesmo rasgou meu véu
Na intenção de que eu enxergue o paraíso

Derramou-me sua chuva
Serôdia, e por vezes tempestades
Desnudou-me do pó sua túnica
E revestiu-me de sabedoria e verdade

Limpou meus olhos
Curou-me desta cegueira
Cobriu-me do seu orvalho
Como as folhas que cobrem a seringueira

Extraindo sua borracha
Que apagou meu antigo ser
Metamorfoseou minha casa
Para um novo amanhecer

Tenho ouvido o céu
Sua forma de expressar
Transpasso seu amor no papel
Afim de ensinar-me amar

Sua fala é interpretada
De forma sútil e suave
Uma destreza cantada
Que aos imos puros invade

És tenor de um belo canto
Que transpassa o sentimento
És a boca de outro plano
Que não fica no esquecimento

É como música penetrante
Feito faca de dois gumes
O mais doce som vibrante
Que eleva-nos ao alto lume

Por Patricia Campos