Uma bagunça
Generalizada
A mãe soluça
E a criança só, na estrada

Cada um por si
E seria Deus por todos?
A individualidade existe
Cada um se faz um corpo

O que é seu
É meu também
Mas do meu
Não dou nenhum vintém

O eclipse da lua
Chegou nesta cidade
Escurecendo a rua
Que o levaria a liberdade

Agora é tarde
E não há quem abra a porta
Fostes covarde
Agarrado a tua corda

A incredulidade
Deixou-o para fora
O dilúvio do horror
Devagarinho assola

Seus gritos
Não adiantam mais
Hoje estão aflitos
E jamais terão a paz

Tumultuaram-se
Por suas vaidades
E dividiram-se
Em denominadas classes

Os miseráveis
Passaram ser os pobres
É lamentável
Mas os vejo em ternos nobres

E ainda dizem:
Rico sou e de nada tenho falta
Mal sabem eles
Vazias estão suas almas

A miséria
Está na ignorância
Só quimeras
Guardadas desde a infância

E ainda se perguntam
Porque Deus não olha para o povo?
Sendo que Ele fez de tudo
E a divisão se fez com poucos

Vivenciam ainda hoje
O Egito que escraviza
Suas mentes torpes
Aglomerada em cinzas

E ficam aguardando
O mar vermelho se abrir
Em meio ao caos e o pranto
Até o dia de partir

Por Patricia C.