Desde o início fez-se sentido, seu pulsar, singelo ritmo. Um batucar cronometrado, vez em quando acelerado. Assim fostes fundado, para filtrar o venoso, e trazer oxigênio à alma, cabimento figurativo, sua morada é um peito esquecido, por vezes indefinido, e muitas outras flechado pelo inimigo. De extrema importância e valia, seus veios trazem sabedoria, bombeia o corpo eterno, a vida, manifestando esta obra magnífica. Ó coração, seu pericárdio é seu anjo, que protege-lhe dando descanso, enquanto segues trabalhando. Ciclo que funciona em harmonia, liga-o diretamente a vida, por suas artérias infindas, trazem-no emoções infinitas. Quando o amor em ti se instala, manifesta sua sensação nítida, respira fundo e então dispara, é a compreensão incontida. Porém ficaste incompreendido, funcionando apenas pelo instinto animal, e a metáfora de um órgão complexo e lindo perdeu seu estado racional. Suas ligações limitaram-se à um corpo morto finito, veios que um dia irão findar-se e a inerência em ti serás apenas seu próprio vazio. Ó coração sejas sóbrio, use de suas artérias, faça seu imo nobre, nutre-o de vitaminas eternas, as quais lhe trarão crescimento ao seu corpo eterno, busque enquanto há tempo, seja um coração liberto!

Por Patricia Campos