Seu olhar corria iluminado
Por identidades que não eram suas
Talvez não imaginasse o quão seu universo poderia ser explorado
E o quanto sua voz assemelha-se às plumas

Um talento escondido
Guardado em um rio tão doce
Onde pelo tempo foi distinguido
E as tais identidades cortadas a foice

Sei que por um momento
Sentiu-se sem chão
O motivo do tal sofrimento
Era a a falta de identificação

E aos poucos foi sentindo-se
Pisando devagar em seu lugar
Seu mar cristal foi abrindo-se
E suas ondas vieram-na à banhar

Mesmo com seus medos distintos
Percebeu onde devia apoiar-se
Seu baluarte divino
E aos poucos foi entrando na arte

Arte de fazer-nos bem
Com o seu jeitinho único
De forma sutíl vai além
Dentro do seu infinito lírico

Firme-se bem os seus pés
E não deixe-se abalar
O seu imo igarapé
Discorre ao encontro do mar

É a união das águas
Trazendo-lhe destreza em doses
Até tornar-se alma alva
Mesmo sendo tão precoce

Avalie-se obra-prima
Tecida por mãos divina
Não queira espelhar-se vazia
Podendo refletir-se em vida infinda

Há tanto que pode descobrir-se
E ser luz por onde passa
Reafirmo-lhe confia-se
Não espere por ninguém, faça

Por Patricia Campos