Depois de tantos machucados, de tantos ferimentos, irá sentir o desligar de seus pecados, o desligamento. Os filhos correm para os braços de seu pai depois de caírem, correm e choram, há de chegar seu porvir, o remédio para curar a dor que trouxe de fora. A cura também dói, arde com o fogo dos justos, derruba tudo e se reconstrói, laços e traços deixados por este mundo. A dor da cura muitas vezes sentida com prazer, um dia irá ser pura, alma que trocou de ser. Os espinhos já estavam a tanto tempo, que nem podia os sentirem, mas de noite sentia o lamento, de cada angústia que iria vir. Porém há de ser tirado, todo mal plantado em seu jardim, desde os plantios indesejados, até as rosas tão belas, mas que trarão o ardor e seu fim. A essência está toda aqui, a força, a coragem, basta determinar e agir, para começar a obra em sua cidade. Lutar pelo que é certo, ser firme, com a base sob a rocha, a luz guia, não há pensamentos incertos, uma construção, uma edificação, para acender novamente sua tocha. A dor da cura é uma dor que se sente com felicidade, pois sabe que depois de um tempo não sentirá mais este sofrimento, suas lutas serão em prol de sua liberdade, longe de toda angústia, dores e lamentos.

Por Luiza Campos