Tremia seu corpo
Em ondas de inverno
Toque de pó morto
Firmado no incerto

A dúvida é questionada
Mesmo ela sendo rainha
Mas com tudo é interrogada
Colocada contra sua sina

Teu nome posto em pauta
No alcantil de seu universo
Os números eram sua casa
Asa cortada em versos

Rasteja-se pelo chão
O tom frio de seu olhar
Traz a cor da vermelhidão
Para as cristalinas águas do mar

Outono que vem para avisar
Suas folhas gritam ao voar
És arrogante no falar
Trazendo das geleiras seu pesar

O oceano traz em tema
Cada raiz de seus pecados
Colocando a brisa em cena
Congelando seus atos

Respira o ar gelado
Acostumou-se com este tempo
O verão deixado de lado
Esquecido nas ruínas do vento

A saudade não se decifra
Mesmo não identificada
Quando coloca em músicas cifras
E é ali que está sua jornada

Ainda não vista
Longínqua da realidade
A pena do escritor sem tinta
Acabou em cacos sua liberdade

Sua pele já opaca
Exposta a tanto frio
Congelou sobre a caminhada
Deixando seu peito vazio

Seus cílios brancos
Carregando um espelho mortífero
Em som de falso pranto
Não conquistado pelo Altíssimo

Sua respiração já escassa
Fechando seus olhos lentamente
Caindo as penas de suas asas
Desligando aos poucos sua mente

A frieza faz morrer
Sim, ela assola
Quem quiser nascer
Tem que lutar contra sua derrota

Por Luíza Campos ?