Escorre como chuva, leveza de uma pena, não há cela para pluma, sua liberdade em cena. Tom evaporado, em cores sem lei, luzes de seu estado, bailando para o rei. Liberdade em gotas serenas, gotas da garoa que vem e acaricia, molha as flores tão amenas, e com a brisa sussurra a sabedoria. Liberdade sobre o peito forasteiro, sem lar, sem lugar, não há correntes para este passageiro, se encontra como estrelas a vagar. Seu sorriso esboça a alegria das águas, ao desmanchar-se em pranto, areia em palavras, ampulheta sem canto. Sua voz nos envolveu, entre nós sua candura, não há dor, não escureceu, são luzes em alvura. Beleza indescritível, passos tão sozinhos, unidos são os rastros do impossível, o pó de sua sola que lhe guia pelo caminho. Liberdade em cachoeira, em chuva, ao chorar, são águas que vem para nos acalentar, sua voz tão doce escorre em minha face, transborda os céus, os mares, meus enlaces. Sou passarinho pisando em solo celestial, sou girassol em busca de meu manancial, sou a própria liberdade iluminando meu lar eternal, sou luz, sou a voz divinal. Livre como o vento, que não há raízes em seu solo sem verdade, no mundo se findará o tempo, porém minha história prevalecerá para sempre na eternidade.

Por Luiza Campos