A morte marca e causa espanto, mesmo tão natural, traz seu pranto. Em conversas com um anjo, sobre o dia de transpor de planos, abriu-me os olhos, meu desencanto. Em noite tão bem explicada, cheia de desejos, consciência amparada, encontrou um desfecho. Chamou-me atenção, o jeito colocado, curioso coração, descobri-me como estado. E na imaginação fica o depois do pó, quando ele for com o vento, desatar o nó, para não se perder no tempo. A narrativa estava tão bela, quanto o voar pelos meus pensamentos, parecia pintar em tela todos os meus intentos.

Anormalidade em canto para os entristecidos, mas grandiosa era a canção declamada pelo espírito, que aos poucos ilumina minha escuridão. A partir deste ponto vi-me mais atenta, como águia no céu, que sobrevoa os montes, e rasga em toda velocidade o véu. Criei pequenas asas, mas já posso voar, ainda não conheço toda casa, mas já posso chama-la de lar. Conheço o caminho, e nele trilho, sei que há muitos espinhos, mas nada mudará meu tino. Isto posso afirmar, pois conheço minha intenção, a vida vem se abrigar, e dou a ela toda minha vastidão. Na verdade não houve um ponto só, todo dia encontro de novo a verdade, bate em minha porta o sol, clareando mais um passo para minha liberdade.

Por Luiza Campos