A dor não foi vista, muito menos sentida, seus pés flutuam sem rumo, a paz preencheu cada canto, trouxe amor e vida. Estado de ternura, alcançado as graças das alturas, não há prazer maior que estar consigo mesmo, sentindo cada metamorfose, como luz clareando cada canto e se descobrindo em fases. A chuva vem para acariciar, para refrescar seu campo e suas flores, corre a beira-mar e sente cada respiração, cada toque, tudo tão imenso, como o mundo não percebe? Tudo depende dos olhos de quem vê, o estado cheio de graça enxerga harmonia e compreensão, sua sutileza esbanja em suas pupilas e conversa com o coração, dança em meio a tempestade, bagunça junto com o furacão e sorri apenas sorri, pois sabe que suas mãos estão entrelaçadas com a eternidade. Tudo muito claro, o que temerá? Enxerga todos os lados, por que fugirá? Não há dúvidas de nenhum passo, a luz do céu lhe guia pelo caos deste mundo, é borboleta em meio lagartas, fez-se eterna em meio os mortais, com o que se preocuparia? Realmente, não há palavras que dê sua hermenêutica, sua leveza não se imagina, porém se sente, a consciência arrepia a todo instante, e não há comparações com este ligamento, uma aliança inquebrável entre o estado e a existência, existência cheia de graça e por isso a transborda em cada traço.

 

Por Luiza Campos