Abriram-se suas pétalas, adornando o campo sem cor, aos poucos o mundo reverbera (até demais tenho que dizer) e aos poucos encontra-se igual. O girassol já perdeu a direção, já que o sol se foi há muito tempo, suspirou a procura de sua essência e encontrou os lamentos. O campo que era tão vasto se fez morto, perdeu a vida que por tanto tempo anda tão sozinha. O pranto que não se segura faz chover, o amargor de cada sentimento escorrendo por sua tez, o rio correu para o mar e cada consciência encontrou o precipício que a desfez. A lua se despiu e mostrou seus desejos, aos poucos a noite se tornou tão segura de si que não quis ir embora, pergunto-me quem somos sem a vida? O estado sem existência? O que somos sozinhos? Os rastros me responde com tanta clareza e por mais que eu tente ninguém consegue ver, raízes tão supérfluas, ficou na beira do mar, o fruto divino fez-se de si próprio insignificante como uma criação sem funcionar. Era plantação celeste, até secar as folhas, o outono por tanto tempo prevalece, e o inverno eterniza as escolhas, de geração em geração, perderam o oxigênio, esqueceram da essência, as rosas acostumaram-se com os espinhos e as almas com a superficialidade que é esta existência. Frutos divinos, prescreveu o infinito, frutos perdidos, escreveram em seus livros. Consciência sem ciência alguma de si, encontraram-se nos espelhos externos, como carne e matéria, a boca esboçou sorriso enquanto chora o interno, assim caminha a Terra, sem noção alguma da imensidão que cada um carrega. A flor da pele ditou, a flor da pele fiquei, de tanto tentar se cansou, os finais dos tempos já presenciei.

 

Por Luiza Campos