Garoou em teu interno
No imo de seu coração
Eram cristais em pingos eternos
Refrescando sua escuridão

Dias de muito ardor
Brasa viva que queima
Dias de imenso calor
O mundo sem pena

Sua bússola aponta o céu
Com pupilas a dilatar
Desejou provar o mel
E a doçura de amar

Eram tristes os seus dias
Sedento por água
Sede de sabedoria
Muito tempo em silêncio, sem palavras

Seu leme estava sem direção
Vagava sem destino
Não havia alguma razão
Ou um acalento para seu imo

Era só
Tua alma, teu ser
Tinha dó
Por não conseguir viver

Sua terra anoiteceu
Nuvem negra que pairou
Refletiu seu eu
O céu trovejou

Caiu do céu garoa
Em plena madrugada
Cantou o som que entoa
Sorriu em sua jornada

Vendaval de boas brisas
Que trazem o renovo
Deixando para trás as cinzas
Secando as gotas de choro

A palavra vem
É proclamada aos quatro cantos
É só recebe-la bem
Que por aí ela fica, para aliviar seus prantos

Por Luíza Campos