Gritei sobre os montes
Clamei em seu imo
Trago os horizontes
No trilhar de seu tino

Proclamo em meio a multidão
Estou no refletir de seu olhar
Sou a sabedoria do coração
Tentando evitar seu naufragar

No meio da rua
Grito sua liberdade
Malmequer são as pétalas da lua
Coibiu-lhe de ver a verdade

O tempo corre
Sem dó ou piedade
O tempo não morre
Você quem vai para sua eternidade

A pele enruga
Os fios se tornam algodões
Todo dia uma nova luta
Novo pranto, outras lamentações

Por isso digo ao mundo
Mas o mundo se silencia
O tempo passa em seu profundo
Só restando eu, a sabedoria

A voz do céu
Que clama todo dia
Pranteia sobre a alma o féu
Mas em troca oferece a vida

Em seu âmago sente
Sim, escuta tudo
Pra si mesmo mente
Não quer mudar seu rumo

Do que tens medo?
O que aflige sua alma?
Talvez são seus erros
Que afogam sua calma

Veja bem
Seja teu
Veja além
Saia do breu

Enriqueça seu interno
Com os bens da magnitude
Bonança do eterno
Transbordando sua virtude

Encontre-se em mim
Desvenda-se em ti
Sou a sabedoria, seu bem ou seu fim
Sou o que vem depois do porvir

Por Luíza Campos