Passos camuflados em dor
Lágrimas de poeta
O sol murcha como flor
Versos solados pelo profeta

Como se vê atrás da parede?
Se ali nada há
Aqui hoje, passa sede
E amanhã, onde estará?

O mundo soa como seu
Mesmo nada daqui sendo de sua posse
Entoar do falso breu
Tic-taca seu tempo precoce

Usar coleira parece bom
Do mais alto pico da hierarquia
O fino linho traça o som
A ordem de pouca sabedoria

Externo de grande glamour
Interno com escassez de cor
Muitos querem sua falsa luz
E não veem que só há ódio e rancor

Porém, como posso dizer?
Todavia nada há para se ter
Sua ampulheta traz pouco viver
Em um lugar onde engana seu ser

A luxúria é um prato cheio
Âmagos cheios de desejos
A mãe perde o leite de seus seios
Os filhos passam fome em seus leitos

Esfera periférica
Sob a visão dos céus
O pó vive em cela
Amargando com seu fel

Ninguém para
Está na hora de pensar
Olhe o nada
E veja quantas coisa ali podem estar

Explique-se diante a eternidade
Coloque-se de joelhos
Você se dá pela falsidade
Pintando seu quadro com vermelho

A cor da atenção e paixão
Sendo assim passageiro
Como pode tal canção
Desafinar desse jeito?

O vazio eterno
Muitos não gostam de seu nome
Famoso inferno
Temendo seu pronome

Por que tanto medo?
Se ele não será menos que você
Há tantos erros
Mas não há o que temer

O quadro revela sua arte
Seus segredos, suas raízes
Cada coisa faz parte
De quem és, suas crises

Trace a vida em sua pintura
Cores quentes como o fogo
A brasa viva de sua escultura
Silhueta de um dito louco

Vagalume rasga o ar
Deixando os rastros da luz
O tempo há de acabar
Portanto veja o que realmente reluz

Por Luiza Campos