Para onde correr se não há caminho, não há canto, não há lugar para se aconchegar? Para quem gritar se não há quem ouça as preces? Um peito perdido canta dores incomparáveis, expressando rancores em tons indiscerníveis. Não sabendo para onde correr, e o próprio se vê preso em um extremo e vazio quebra-cabeça. Suas raízes sem lar e seu peito sem lugar, não há refúgio, não há casa, não há pessoas a quem possa confiar. Seus prantos são apenas seu, e seus lamentos, bom, não posso dizer o contrário. Sua história caminha sem lógica e sem razão, seus traços perdidos em palavras sem base, e se embala e abala fácil de mais. Quando abrirá os olhos e enxergará que o erro, não está em outra pessoa senão em ti mesmo?

As paredes caem no abismo, e o que lhe separa do mundo caiu ao chão, agora é sua decisão. Não fuja de seus medos, erros, seja teu repleto de paz, que a vida lhe permitirá entrar. Sei muito bem que sentes frio, que se sente só nesta vasta escuridão, que aos poucos engole, devora, e seus pecados são o que lhe mantém vivo (pensam). Apenas não sabem, ou fingem que não, e seus laços enlaçados no pescoço, em cima de um banco de madeira (que logo se ruirá, e sabem, sim, sempre sabem) e sobrará você e sua corda, enlaçada devagar. Não tenha medo, seu instinto quer lhe ver vivo, enquanto a areia cai há tempo, e há linha de chegada, há um lar, lugar, há um colo nos céus, lhe esperando para te adornar. Faça moradia nos braços da vida, e corra como criança com medo no colo dos pais. Fuja do mal o mais rápido que puder, antes que seu tempo passe e quando perceber vai estar afogado, no profundo do oceano, com o olhar distante, sem força para nadar, remar, voar. Encontre-se no mar de sua jornada, não se perca tão fácil, sua caminhada és pura e santa, só tire suas sandálias pois onde pisas é santo.

Luiza Campos ?