Abriu-se as janelas, pouco se vê do mundo a fora, o que está aqui é de valor, ao parar o tempo, os desejos, e sua hora. Os céus podem dizer, eles podem cantar, anjos do bem querer, do verbo importar. Tênue, leve, és pluma, como dança, como voa. Liberto em cada sentido e razão, sobre as águas que me deram, bebo de minha emoção, ao fugir de mim o que não coube no coração. Entoar celeste, acordes primários, que tocam e soam em cada âmago declamado, declarando trégua e paz. O próprio não se esconde, revela-se, como o sol pela manhã e as flores na primavera. Como o bom dia dos pássaros e a brisa do outono. O cair de cada pétala traz a mim suas boas vindas, ao ver nova estação aflorando, como o espírito santo. Pulsar quente, fervente em seu lugar, sorriso de pura gente, ao sentir uma família, um lar.

Sou criança abrigada do frio, sou alma rara em mundo sombrio, sou peito transbordante em meio tantos vazios, sou lua cheia em tempo sombrio. Simetria perfeita, como um só, apenas uma unidade, um acorde em sol. Sou alma, e quem me capacita de voar? Eu Sou chama-se seu nome, és alegria em todo mal, e a alva em dias escuros. Em minhas entranhas dançam a vida, meu pulsar é sua melodia, tu serás casa um dia, o abrigo de uma alma perdida. Seu colo bailou sobre mim, ali fiquei, vendo a nuvem correr, o tempo passar, vi meu fim. Parece sonho, não? Sei que sim. Onde um mundo tão cruel, cheio de dores e guerras, existiria um lugar de tanta bonança e calmaria? Onde, entre o céu e a Terra, encontraria lugar de descanso? Onde, Deus meu? Sobre as casas que passam fome, entre os becos de miséria, em casas de prostituição ou sobre as crianças famintas? Onde encontraria neste mundo paz, onde ela habita? Todavia sois templo, consciência. Portanto, por que de tantas dúvidas?

O espírito de Deus brinca como criança em teu sorriso, pula sobre seu coração, brilha em teus olhos e desvenda sua imensidão. Sua orquestra bem regida, harmoniosa, grita em cordas tocadas, e seu oceano pede que você o desvende. Busque mais, queira mais, há um universo brincando de se esconder, mas como pode ser tão grande e pouco visto? Pouco entendido. Abra os olhos para aquilo que já está há muito tempo em sua frente. Todos podemos ser rosa na primavera, e a alva da manhã, podemos ser pura prosa e a mais doce dentre todas belas maçãs, basta querer e finamente ser o espírito santo de Deus.

Por Luiza Campos