Os passos trilham com a certeza, o peito palpita ao lado da liberdade, a voz canta a destreza e o sorriso emana felicidade. O que seria realmente? O que é conscientemente? A entrega é absoluta e o prazer transborda de suas entranhas, como decifrar tal altura, sem emocionar-me em meio a dança? A fala adoça o dia, novo horizonte indescritível, o mundo sem sabedoria, porém, andar pelo espírito é enxergar o invisível. O que é andar pelo espírito? Deixar todas as coisas ligadas a morte, os laços de seu ventre libertos de tudo que morre, sentir a vida em suas entranhas, se apossando de seu peito devagar. Sorrir sem deixar rastros, é falar mesmo não sendo compreendido, é amar sem amarrar-se em laços, isso é andar pelo espírito.

Como os pássaros no céu, voando sem rumo e sem casa, a liberdade aos poucos dissipa o fel para abrir suas asas. O que é andar pelo espírito e não pela carne? Quem sabe responder? Difícil encontrar tal ser. A morte não chama atenção, a vida não chama atenção, a dor e a angústia passam despercebidas, se acostumam a viver com pena de seus próprios corações. E assim, infelizmente, se perdem em seus atos, tropeçam em suas falas, desnudam suas vergonhas e choram enquanto se calam. Enquanto tentam alimentar sua fome insaciável e nutrir seus prazeres mundanos, a ampulheta traça os ponteiros imaginários, contando o tempo inexistente de seus gozos insanos, e isso é andar pela carne. A razão da vida se perdeu em cada peito deste mundo, perdeu-se nos becos mais profundos, afogou-se no mar do esquecimento, agora eu te pergunto: o que é andar pelo espírito e não pela carne?

Por Luiza Campos