Quem mais pode se sacrificar por mim senão eu mesma? Muitos não querem se colocar no jogo, mas se não fizer nada quem fará por você? Se ajoelha diante sua cama, junta as mãos e olha para o teto, seu perdão não vale de nada, se não começar a fazer o certo. O sacrifício sou eu, para mim, para viver, sacrifício é você, para você viver. Não é conto de fadas, ninguém vai vir te salvar, ou levanta a espada, ou espera sua derrota chegar. Todos dizem que a vida é uma só, e ela temos que aproveitar, realmente, tem razão, mas desse jeito não é a forma certa de lutar. Assim só está a jogando fora, pisando sobre a única chance de realmente viver, todas as suas palavras evaporam, não há base, vive em um breu, seu anoitecer.

O sacrifício sou eu, o sacrifício vivo de mim mesma, a loucura habita nas entrelinhas, pois neste mundo, só os loucos compreendem. Ninguém pode lutar minhas batalhas, ninguém pode remar por mim, devo lutar contra as águas, e nessa maré suja encontrar seu fim. Minha flecha são as palavras, e minhas guerras acontecem em minha própria alma, é a carne contra o espírito, as trevas contra a alva. Eu me coloco ao sacrifício, e nele vivo todos os dias, meu ventre carrega todo o princípio, a luz, luminescência de um ser vivo. O pó traz sua própria decadência, o que quer agarrado a ele, deixará nas mãos a consciência, sem nenhum rastro, nenhuma história com prudência. Crie novos laços, novos traços, deixando tudo para trás, um novo rumo, novos passos, em busca de um reino de paz.

Por Luiza Campos