Amanheceu sua rotina
Em tom desgovernado
Sem base, sua ruína
Beirando seu peito enlaç
ado

Destroçou-se em cacos
Derribou-se ao chão
Viu-se sobre o raso
Na miséria de seu coração

Arruinou seus dias
Sem sentido ao acordar
Quando assopra sua ventania
Assolando seu lar

Pranteia ao anoitecer
Derrubando sua tempestade
Sobre o solo de seu ser
Encarando sua falsidade

Em reflexo perdido no infinito
Transparece em seu espelho
Seu opróbrio finito
Pintando seus olhos com vermelho

O sentido do amanhecer
Deveria ser e viver
Mas decaem em falso prazer
Boiando no tempo até seu fenecer

Em flores mortais
Destruindo seu girassol
Onde os espinhos banais
Assolam seu peito só

Plantando em sua terra a tristeza
Deixando entoar suas lágrimas
Em meio a esta grandeza
Continua a ouvir falsas palavras

O porvir perdeu o sentido faz tempo
Onde acordam e dormem sem razão
O mundo voou com o vento
Em um sopro desmoronou sua direção

Os versos decorreram sobre a verdade
Como o refletir das águas marinhas
Apenas citei a realidade
Deste globo mortal entrelinhas

Por Luíza Campos