Alvo cego, leme perdido, esvaiu o verbo por entre seus dedos, onde foi que não enxergou? Debrucei-me entre a luz e a escuridão, fechei os olhos, suspirei pela vida, ponto cego, alvo sem mira. Aves sedentas pela morte, ceifeiros perdidos, justo o ponto principal foi esquecido, mar sem sua essência, corpo despido. As palavras se formam, escolhas tomadas, pensamento linear foi visto, pouco compreendido, escritura primata sem sentido, perdeu-se com o tempo inimigo. Lá estava ele, distante de mim que não pude vê-lo, sua sombra marcava presença, porém não posso tê-lo, como saberei meu ponto cego se não o enxergo? Peço para que o sol desça a minha casa, ilumine meu caminho, brote em minhas asas e permaneça, para que não fique mais sozinho. Peço para que os vagalumes dancem em meu coração, podem vagar em mim, podem bailar e afastar a escuridão, traçar meu tino para que eu não encontre meu fim. Sabemos que há um ponto cego, o imo das raízes, a dor escondida do ego, as trevas que não traçaram diretrizes, o espinho que permanecerá até desvencilhar-se da rosa, secando e deixando padecer o ardor da prosa. Alcancei o arranha-céu, um passo e saltarei para seus braços, que me acolha a mão dos céus e desfaça tudo o que for falso. Regenere minha retina, tornando-me onisciente de meu estado, ponto cego sem vida, que se torne aos meus olhos claro.

 

Por Luiza Campos