O vejo em meu leito, nas profundezas do oceano, adentrando meu peito, sempre me transbordando. O vejo nos reflexos dos rios, no alto das montanhas, nos dias quentes e nos dias frios, no solo e na criança. O enxergo em mim como um só, no espelho, em meus batimentos, na cabeça faz um nó para quem não tem entendimento. Me protege de todo mal e de toda dor, toda angústia e mágoa, abriga todo meu amor, me acrisola com sua chuva e seca minhas lágrimas. Ele está no céu, no mar, onde lhe compraz, ele é o fel, bálsamo para curar e a paz. Mesmo em corda bamba sinto suas asas, ele sempre está comigo, mesmo quem tenta fugir não encontra casa, ele é o abrigo, a simetria da alma. Quem me protege não dormita, não vai para longe, não desaparece, habita em meu universo, cauteloso com meu oceano, conhece meus versos e os clama trazendo a felicidade do pranto. A vida da minha eternidade, não sou ninguém sem sua graça, o carrego em minha face, ele está em meus traços me guiando para longe das farsas. Dita em meus ouvidos seu caminho, os escrevo em meus passos, como maestro e sua orquestra, sou os braços que o acolhem e desmancha as trevas. Quem me protege não dormita e posso provar, ele é a vida, a luz, o sol, ele está em todo olhar, toda intenção, como girassol, aponta a dor e me avisa, meus rastros entendem e desvia, fez-se leme e eu o barco, sou completa com meu anjo alado.

 

Por Luiza Campos