Termo sem significado
Pelo seu decorrer
Ser só não é estar isolado
Mas ser sozinho seu viver

Pela rua vagam mares
Infindos e sem fundo
Cada um com seus olhares
Segredos em peito profundo

Estar só é ter a alma quieta
Sem ninguém ao seu dispôr
Mas a contradição cai fora da reta
Ao ver do seu lado o senhor

Nunca estará realmente só
Pelo menos enquanto anda sobre a terra
A vida carrega o pó
E há almas em todas as trevas

O casulo que nos separa
Nos demonstra egoismo
Cada um com sua jornada
Com sua luta por altruísmo

A solidão tem voz
Canta sua canção
Proclama para nós
A grandiosidade da nossa imensidão

Seria eufemismo talvez
Dizer que tudo somos
Ao tocar a sua tez
Sentindo a peculiaridade de cromossomos

Compreender que és unitário
Mas completo pela vida
Sempre acompanhado
De mãos dadas com a sabedoria

Ser só não é motivo de tristeza
O prantear não se faz necessário
Quando tens contigo a pureza
E a bondade do seu lado

A chuva por entre os cílios
Traçados em quadro bordado
Onde do pó nasceu o filho
Encontrando nas trevas o inesperado

Por Luiza Campos