Silhueta sem alma
Seu corpo congelado
Sombra da alva
És casulo isolado

Traçou suas linhas no vento
Deixando seus rastros
O quadro da vida parado no tempo
Deixado seus laços

Vejo a mim no céu
Refletida em alvura do mar
Perdida em ilhéu
Aprendendo a remar

Sou a manifestação
E sua silhueta és minha eternidade
Carrego a imensidão
E toda a divindade

Vaga-lume rabisca o ar
Deixando-se para trás
Sua luz trouxe-me lar
Aconchegando-me em paz

Vejo sua dor
Pranteio com o invisível
Sou o resplendor
A casa do desconhecido

Em tudo se pode ver
Mas nada pode dizer
O que é seu ser
Donde vens seu viver

Compreendo sua loucura
Assim o amo
Deixando o papiro sem rasura
Eternizando outro plano

Quem pode o decifrar
Escrever em cartas seus detalhes
Se seus traços não há como enxergar
Apenas quando tu amares

Encontre a eternidade na brisa
E deixe ela gritar
Sua voz em ti habita
Deixe ela dançar

Cante para mim sabedoria
Cante alto para que proclame
És eterna sua vida
E poderoso seu sobrenome

Deixe-se ser
Saindo do breu
Começando a crescer
Encontrando seu eu

Por Luiza Campos