Refleti-me como templo, sou casa, terra e o monte de Sião, não conto o tempo, nunca envelhecerá meu coração. Não enrugarão minhas lembranças, e para a vida faço-me lar, sou templo de esperança, carrego a eternidade do mar. Abrigo o eterno, a luz das trevas, ilumina passos ternos, sutis, longe da guerra. Sou espelho, manifesto o pulsar em meu peito, o broto resplandece vermelho, mas seu palpitar entrega o ser perfeito.

Templo de habilitação, escolhi o reino do céu, imperando em minha alma o celestial, transcende meu véu, encarando-me, face a face com o transcendental. Quem habita em sua raiz? Quem baila em seu caminho? Seguir o prumo, diretriz. Entender seus laços e seus espinhos. Quem és de verdade? Quem desenha em seu quadro? Rastros de calamidade. Um sorriso apagado. Conheço a luminescência, que ilumina meu ser, sou consciência, e deixei a vida em mim viver. O mundo não se enxerga como tal, por isso entristeceram seu roteiro, mudaram o destino divinal, colocando o pó no meio. Somos todos templos, agora, quem virá nele habitar? O sol aos poucos se põe. Quem deixará de nadar?

Por Luiza Campos