O que vê? O que se encontra diante seus pés? As dores e mágoas não são suas, são carregadas do pó aos laços, aos abraços e traços. Se escuridão ganhará suas trevas, se luz e paz ganhará o sol, assim será seu destino traçado por suas escolhas e concretos por seus ligamentos. Em mim vejo a calmaria, a vida que pulsa meu coração, ela orbita em minha alma e reluz em meus pensamentos, vejo-a em meu espelho como a mim mesma, girassol em campo vasto, sou a flor de seu jardim. Toda terra que vejo conquistei pelos meus passos, e toda terra já tocada pelo meu sapato será dada a mim, assim se faz a lei do céu, sua ordem já prescrita em meu coração, selada em meus olhos e plantada em meu solo. O que planta é o que se colhe, não há como reverter, a fé morta não lhe salvará de um precipício, pois é baseada em areia movediça, nada sólido, nada concreto, tudo muito ao vento, enquanto não criar suas asas e dar-lhe a liberdade cairá no chão, despedaçando-se como cacos de vidro. Ninguém se conhece na confusão, acalme sua alma e encontre sua essência, o tino se encontrará conforme é guiado o coração, a luz se dará quando enxergar quem é, sua terra e sua herança não é nada mais que sua própria consciência ligada a vida ou ao pó que se esvai com o tempo. Busque a chuva das nuvens e deixe pingar em seu ventre, doe ao plantio se enxergando como uma simetria, amamente o jardim com sua água e deixe agir em seu âmago, já passou da hora de se deparar consigo mesmo e realmente cuidar da terra que irá herdar por toda a eternidade.

 

Por Luiza Campos