Seu reflexo gritava
Ao olhar as águas cristalinas
Não satisfazia-se com o que olhava
Mudava seu eu em ruínas

Loucura de muitos feitos
Falava pelas ações
Chorava sobre seu leito
Clamando suas ilusões

Encarava fixamente
Descobrindo o outono
Os traços da mente
E seu profundo sono

Olhar que prende
A beleza de seu castanho
Admira quem lhe entende
Mesmo sendo insano

Tocava o vidro sem fundo
Limitado a quatro paredes
Quando se esvai escurece o mundo
E a alma sente sede

As estrelas habitam ali
Assim como sua face
Ao ver o porvir
Refletido seu enlace

Quer sempre estar
Nunca viver
Rotina sem lar
Seus dias são para se enaltecer

A noite tão bela e solitária
Fica no canto sem companhia
Fazem dela sua morada
Mas nunca querem ler sua poesia

Sai de fininho
Fecha a porta
Escurece o caminho
O espelho sai de rota

Sente desejo novamente
E volta o seu ciclo
A vaidade de sua mente
Dominou seu princípio

Por Luíza Campos