Os passos constroem a eternidade, seja com vida ou sem ela, as coisas são assim, o que podemos fazer? Pego-me buscando a poesia tão longe e sua simplicidade acena de perto, é tão desesperador ver os traços se criando e não há borracha que os apague, suas escolhas, sua história e seu fim. Enquanto o quadro não se termina, mesmo que tão obscuro, ainda há chances de reverter, mesmo que a estrada que lhe move seja apenas de ida, porém quem dita seu desenho? Lhe dê asas, faça-se asas, seja bem-te-vi, que bem te olha de longe, seja sua liberdade, sua essência, sua consciência. Pouco importa o dia de amanhã, se estará feliz ou triste, se terá alguém do seu lado, ou qualquer coisa trivial que não lhe cabe neste momento, apenas comece um novo caminho uma nova diretriz, simplesmente tome o leme do navio e navegue em águas tranquilas e brandas.

Seu caminho sem saída será seu infinito, então em sua eternidade não haverá saída, como correr ou fugir? Simplesmente será sua sina, sem volta, não terá para quem gritar e não terá ninguém ou ao menos você mesmo para te socorrer. Via de mão única, a voz a me declarar, não há saída para depois do soprar do céu, não haverá onde se esconder, pois o universo será você e você será o universo. Há uma chance nos dada hoje, não amanhã, depois de amanhã ou quem sabe daqui anos e anos, hoje nos foi dada, como todos os dias do nosso passado, agora o presente nos constrói e nos lapida como pedra maciça e sem forma, basta enxergar e entender suas curvas, sua fala, sua música, basta entender o que a vida lhe diz. Mude enquanto respira, mude enquanto grita, chora, sorri, enquanto ainda pode se fazer verbo. Não espere o tempo se despedir, pois acredite, ele irá e não haverá correntes para o segurar.

 

Por Luiza Campos