Você está bem rosa?
Como vai seu jardim?
Sua botânica sem prosa
Seu leito sem jasmim

Como vai rosa?
O tempo lhe mostrou sua dor?
Continua airosa
Ou despencou? Pobre flor

Não tão sútil quanto antes
Nem tão serena
As pétalas murcham em instantes
Olhando assim, me dá pena

Você está bem?
Oh! Rosa perdida
Perdeu-se no além
Na estrada da vida

Vejo que cresceu seus espinhos
Sua inocência não precisava
Sinto que afunilou seu caminho
E se afundou enquanto chorava

Sua cor continua a de sempre
Como o pulsar de suas veias
Mas esfriou sua mente
Escassez da areia

Ouço sua voz embargada
Seu pranto entalado
Sua arte desbotada
Seu peito isolado

Pergunto sua situação
Porque te vi nua
Parada, sem emoção
Fria como a lua

Parei meus pensamentos
Minha vida, meus passos
Para te perguntar sobre seus lamentos
Seu refletir, seus traços

Oh! Rosa, és tão bela
Linda como o contornar dos algodões
Enquanto o infinito lhe guarda em cela
Tendo a chave das ilusões

Nunca é tarde minha flor
Sempre há esperanças
Enquanto tendes cor
E os batimentos da confiança

Saia de seu mundo
Deste universo fechado
Afogando em seu profundo
Ao chorar sem aliado

Venha para fora
Lembrar da luz do sol
Conversar com a aurora
E abraçar o girassol

Querida rosa, como vai?
Está tudo certo em sua luta?
Este pó cai
Mas nunca desista da labuta

Por Luiza Campos