A rua era o meu lugar, as esquinas a minha parada, as calçadas eu fazia de cama, não tinha travesseiro macio, mas na parede encostava a cabeça e ali dormia com dor. Não tinha um chinelo para calçar, não tinha um rumo certo a seguir, roupas boas nunca vesti, perambulava feito uma mendiga, amigos de verdade nunca tive, era só eu e eu em meio a tanta escuridão.

Meus pés até buscavam não se machucar tanto, mas como enxergar sem luz? O tropeço era contínuo e os acidentes eram gravíssimos. Eu era uma menina perdida nesse mundo tão grande e mal, fui dormir sem esperança, mas acordei com ela batendo na porta do meu coração dizendo: levanta minha criança, desperte para um novo amanhecer, te trouxe um chinelo para te calçar, uma roupa nova para te vestir, nas ruas não vai mais ficar, as esquinas não serão mais o seu passa tempo, nas calçadas não irá mais pernoitar, nesse dia te apresento e te trago também um caminho, uma vida, um destino.

Vamos minha criança! Levante, me dê suas mãos e vamos caminhar junto com a esperança de um novo amanhecer, vamos que vou cuidar de você até amadurecer, te ensinarei a rejeitar o mal e absorver o bem, vem que eu te abrigarei e zelarei desse teu coração, pois nele quero morar, venha minha criança, vamos caminhar, só que desta vez com a esperança no olhar.

Por Maria Lucia