Desci de cima do meu eu que morre, e resolvi conhecer-me pelo que realmente sou, coloquei-me frente a frente comigo mesmo, dos pés tirei o chinelo que me liga a este mundo e calcei a sandália da sabedoria e saí a caminhar pelo meio do meu jardim. À primeira vista, vi que a terra é muito boa e que é possível fazer uma mudança maravilhosa, vi também muitas flores bonitas, mas todas estão manchadas de sangue. No alto passarinhos voam, mas eles se sentem presos no perfume das flores, pensei parar por ali mesmo, pois aquela cena que refleti já me era um pouco pesada, mas resolvi dar mais alguns passos em volta do meu jardim e vi outra imagem que muito me incomoda, tira a minha paz, calma e sossego.

Confesso que chorei ao me deparar com tamanha prisão, pois me vi presa naquelas cenas que para mim, reprisa em 3D, nessa hora parece que meu espelho quebrou e vi no chão os meus cacos, olhei para dentro de mim e chamei pelo nome daquele que veio a mim, abri o fundo do meu peito e para ele falei tudo que sentia, falei das minhas dificuldades internas, sentimentos, recaídas, das minhas dores, das minhas lágrimas e também do meu bem querer. Eu realmente abri o livro do meu coração para aquele que vive em mim e clamei por sua ajuda, pois já não suporto mais viver aquelas imagens que reprisam no espelho de minha alma. Nesse dia senti-me tão acolhida, fui abraçada com carinho pela inocência, pureza e verdade, me senti bem por Deus ter me ouvido, pois senti em mim a sua sensação por ter saído do meu coração apenas a verdade do que sentia e não coloquei nada a minha frente, foi somente eu e Ele, era como se eu o visse ali do meu lado ouvindo as palavras que saía de minha boca. Da minha parte realmente é preciso focar, concentrar na vida e em sua voz para saber de verdade rejeitar o mal que rodeia o jardim e acolher o bem daquele que dentro de mim vive e ampara o meu coração…

 

Por Maria Lúcia