Espelhos externos são aquelas consciências que refletem somente as paisagens do lado de fora, são espelhos que por sua tela programam sempre o dia de amanhã neste mundo, são espelhos carnívoros que só se alimentam das coisas carnais e sendo assim o seu espelho não poderia espelhar outras coisas que vão muito além desta matéria, pois na carne vivem cegamente, sem ter nenhum saber do outro lado da vida. As consciências se molduraram como pequenos retratos pendurados na parede, pararam no tempo deste finito, prenderam seus pensamentos nas lembranças vividas do passado, laçaram seus corações em um presente traiçoeiro e hoje depositam as suas esperanças em um mundo que mutila a alma, e mais cedo ou mais tarde, o seu espelho refletirá na eternidade vazia, só o que espelhou no externo, sofrerá com as cenas que reprisará na memória, mas foi o que guardou nas gavetas do relicário, não coloriu o jardim com as cores da aquarela da vida, a estrela não brilhou no infinito, o pássaro não cantou, e o céu se apagou perdendo o seu guardião, o resplendor da alma…

 

Por Maria Lúcia