Transpareceu sua nudez
No próprio espelho viu-se despida
Manifestou sua ardilosa vergonha
E agora o pobre alma nua?

Infinito sem luz
Céu sem estrelas
Imensidão que não mais reluz
Perdeu-se no tempo, desfez das cores

Os pés se perderam
Na estrada desta vida
Não calçou a humildade
E desprezou a importante simplicidade

Esqueceu da esperança
E viveu só de ilusões
Embrigou-se do engano
Que te levou a perdição

Agora contempla a própria indecência
Pois em vida se escondia da luz
Suas obras foram manifestas
E seu espelho não gostou do que viu

Ausente ficou
Da vestimenta do celeste
Não se adornou
Dos enfeites que deixa a mulher bela

Da sabedoria não quis saber
A jogou fora nem fez questão
Pelo irracional andou com prazer
Até ver seu corpo dentro de um caixão

A decepção veio a tona
Quando o coração desceu a cova
A verdade a ali se fez presente
Como um dia claro de sol

O arrependimento
Bateu no eterno peito
Mais agora não tem mais jeito
Pois pela vida não teve nenhum apreço

Desdenhou o vindo de Deus
Escolhendo viver a paixão
O amor jogou para escanteio
E penalizou o pobre coração

A sua nudez está expostas
Diante das janelas da alma
Transpareceu a figura nua
E no espelho chora a própria miséria

Por Maria Lúcia