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O nada

Em si mesmo já se contradiz, pode ser muitas coisas, mas nada o cabe, habita no silêncio, no vácuo, em nenhum momento, por isso ninguém o tem, ou quase, pois ele o tem e aqueles que o escolheram. Não seria apenas melancolia, às vezes também traz calmaria, quando tudo parece um turbilhão, o nada vem e abraça aqueles que tem coração. Aquieta os sons, abafa as cores, é um anonimato, mas sentido, como se as vezes a solitude clamasse por seu nome, e suas mãos afagassem mesmo que de longe. Traz consigo também a perda do tudo, e a alma fraca cai no abismo, como disse anteriormente, também traz melancolia, e quão triste serão para estes, mas seu todo pode ser entendido ainda aqui neste mundo, mas irreconhecível, sua tez intocável, e seu laço impossível, mas em um tempo de guerra, onde deve-se cair um para que o outro levante, o nada é bem-vindo para abraçar um peito contrito, e nele muito se conhece de si mesmo, como um espelho refletindo o nada, que por mais estranho que pareça, é o que és, uma grandiosidade que no fim das contas, sozinha, é um vazio, e como se reconhecer como eterno antes de se ver de verdade? Aqueles que denominam a solitude de solidão tem medo de ser quem é, se escondem atrás dos barulhos, das loucuras, das ilusões, refletem tudo, mas nunca se encontram, e com esta confusão que esculpiram se perdem do senhor, que anda sozinho e clama quieto, esperando que alguém acorde e o encontre pela manhã, e o nada também aqui está presente, pois neste tempo é a companhia da faísca, que por um breve momento lumia o nada, mas diferentemente daqueles que não o veem e o terão para sempre, a vida o terá por pouco, antes de voltar para seu lugar e deixar sua companheira abraçar quem pensava que tinha tudo em suas mãos.

Por Luiza Campos