Não trouxe nenhuma bagagem de onde vim, e nem aqueles que estavam correndo comigo sobreviveram, não sei como consegui, mas o que importa é que estou aqui, no meio da eternidade que se apresentou a mim de uma forma tão clara, simples e verdadeira que parecia não ser real, por eu a tratar como se fosse coisa corriqueira. Percebi que não era normal as coisas que eu ouvia, que a eternidade iria chegar principalmente para as mentes vazias, que não se adornarem com a vida enquanto é dia. Começou então uma procura, sem entendimento na base da loucura atrás de quem pudesse responder sobre a vida e como a obter, mas nunca a procurava no interno, estava tudo já perdido e o tempo escorrendo pela mão, até que então encontrei um que veio de muito longe no ritmo do coração e perguntei a ele, está indo pra onde? E ele me respondeu a questão, estou indo de volta para casa com o que tenho na mão, vim a este mundo e o coloquei em brasa, para tirar do mais profundo a tua alma, pois é nela que farei morada, se quiser vir comigo ainda há tempo e durante a caminhada te mostro como é a jornada.

Por Lauro Balbino