Deus planejou todas as coisas por sua mente e assim também tudo começou dentro do ventre quando sua mão iniciou a formação de nossa carne, a luz se destacou multiplicando cada célula até chegar na estatura do ser, a luz já se fazia presente, mas não tinha como se manifestar, estava oculta no meio do breu aguardando a consciência brotar para no seu tempo a encontrar. Correu então o tempo e o veludo se enrugou, com o leve soprar do vento, mas a consciência não se despertou e nem se deu por conta de procurar a luz. Muitos recém chegavam e despertavam uma certa alegria e muitos também partiam com os olhos opacos, dedos sobrepostos e com a pele fria, e ninguém tinha por certo para onde eles iriam, cenas marcantes e envolventes que por um tempo ficou confusa na mente, pois havia alguma coisa dentro de cada corpo que os deixavam quente. Não havia o hábito de perguntar, nem o atrevimento de questionar, era assim e pronto e mais um defunto para enterrar, mas ficava algo estranho no ar, que depois de um certo tempo trouxe a resposta em forma de lágrimas de um simples chorar, foi então que veio à tona o desenrolar da história, todos entram no mundo com a vida, com a esperança estabelecida e com o brilho no olhar, o qual jamais se apagará, pois o espírito de Deus acendeu e clareando o meu interno, me fez enxergar quem sou eu, tirou-me do breu e me conduz por sua luz, a mesma que reluz o entendimento.

Por Lauro Balbino