O céu levantou a sua voz e percorreu toda a Terra, cantou aos quatro cantos do mundo, quem é sábio volte-se para aqui! Vamos procurar nos campos os trigos para moenda, vamos com ele cozer os asmos da justiça, vamos condenar a Terra que já está toda devastada. Já vivemos os finais dos tempos e até das crianças ouvimos os ais, o angustiador desceu a Terra e ele urra para devorar as almas e anda ao derredor para ver quem ele possa tragar e as consciências não se apercebem disso, estão todas preocupadas com as suas unhas, com as aparências desta maldita carne.

Eu subo as montanhas e desço os vales e só vejo um monturo de escombros, casas caídas, devastadas pelos trovões dos céus, são os cavaleiros do apocalipse tocando suas trombetas, a fome da verdade assola as almas que comem terra ao invés do pão, estão enchendo seus ventres da miséria humana. Quanta fome, quanto desespero, quantas crianças abandonadas, filhos sem pai, aonde está aquela calmaria do tempo antigo, as canções sob o luar? Ela deu lugar as drogas e os nossos jovens não sonham mais, vivem todos uma tal de realidade e as vidas se tornaram banais e os céus continuam soprando forte, trazendo as pragas do apocalipse.

Ouve-se um grito ao meio a escuridão: sai dela povo meu para que não incorras nas suas pragas e nos seus flagelos, mas as consciências seguem firmes o seu destino, ao abismo eterno. Cadê as músicas de alegria, aquelas canções de quando chegavam a colheita? Não existem mais diante dessa tragédia final, o campo pereceu e não há mais o que colher e a filha do meu povo ficou como a choupana no pepinal, como uma cidade sitiada, como cisco e rejeitamento nos colocaram no meio dos povos. Desde o fim das ruas ouvem-se os seus lamentos, são uivos pela liberdade, como quem diz: me tira daqui! Mas quem os ouve no meio desse turbilhão de devassidão? Seria como um grito no meio de um tiroteio, cada um por si e Deus por todos. A lei é sair desse lugar sem olhar para trás e torcer para uma bala perdida não te pegar.

 

Por O teu espírito diz