Dentro do propósito de Deus, nós não temos nada a esconder, mesmo porque eu não acredito que alguém possa enganar a Deus. Estamos falando da nossa vida eterna, e de um vazio também eterno, se nós não realizarmos a nossa função como criação, o que podemos esconder de Deus sobre isto? Está escrito: não mintais uns aos outros, porque já vos despistes do velho Homem (carne), com seus feitos, e vos revestistes do novo (espírito), que se renova do pleno conhecimento, segundo a imagem daquele que o criou.

A afeição desordenada se constitui num crime contra o senhor. A afeição é um sentimento de apego e de inclinação exagerada. E desordenada é sem ordem, desarrumado, irregular, desconexo, confuso, desregrado. A paixão, por exemplo, é um apego intenso e geralmente violento que dificulta o exercício de uma lógica racional, é um sofrimento intenso. Se diz que uma consciência ligada ao espírito tem o domínio próprio da situação, mas as consciências ligadas a carne não têm este domínio, e consciências fracas não conseguem sair deste domínio da carne, mesmo elas sabendo que perderão a vida eterna do espírito e cairão em desgraça eterna. É uma situação que não tem como pôr as mãos, se a própria consciência não ver e reagir contra esta força, irá para o brejo. A consciência teria que se aliar ao espírito e juntos combaterem este mal que a levará aos infernos, mas a consciência age o contrário, se entrega a carne por seus desejos e fica na mão dela.

Deus fica com seu propósito nas mãos, o seu ungido (espírito) fica sem função em nós, e as consciências não querem nada com ele, como está escrito: veio para o que era seu, mas os seus não o receberam. Parece até que nem estão dentro de um propósito, e que lá a frente não vão enfrentar um vazio eterno. As consciências são como aquelas virgens loucas, que não se preparam para o dia do juízo e sofrerão a consequência disso.

Por O teu espírito diz