Saltitando pelos jardins, um potro viu uma flor, e mesmo em seu inconsciente, foi atraído pela beleza dela. Talvez pelo perfume da flor, ou pela sua formosura, ele até a achou a mais bela flor do jardim. O potro mudo, não falava nada, mas sempre queria estar ao seu lado. A flor com a sua beleza poetizava as mais belas poesias, pois retratava a vida. Retratava o renascer, a metamorfose das lagartas que se transformavam em lindas borboletas que voavam e enfeitavam o jardim. Eram elas que buscavam o néctar das flores para a sua alimentação.

E sendo assim, o potro também salivava o perfume da flor, e saltitava de prazer pelo meio do jardim, em volta da sua flor mais bela, ele queria voar como as borboletas e buscar o néctar mais doce da sua flor, e se sustentava pelas lindas palavras da sua doce flor. A flor era cobiçada por todas as outras flores do jardim, porque viam nela, o dom maravilhoso da poesia, e ela cantava as suas poesias como os pássaros do jardim.

O potro não falava nada, mas ele era vistoso e forte como um alazão. Os dois, tanto a flor como o potro, sabiam que eram obras do Criador e que cada um tinha o seu papel dentro do lindo quadro da razão da vida. A flor para enfeitar e exalar o jardim e o potro para proteger e preparar a terra para novos plantios. O Criador é perfeito em tudo o que faz, pois Ele criou todas as coisas e pôs cada uma delas em seu devido lugar, o sol para governar o dia e a lua para governar a noite, o espírito para nos dar a vida e a consciência para manifesta-la.

Eu vejo duas coisas belas, a lei que diz da mulher: os teus desejos serão para o teu marido, e ele te dominará. Esta lei se refere a consciência, pois a consciência é dominada pela existência que ela está ligada. Mas tem outra lei que diz que o homem é a cabeça da mulher, mas eu vejo isso ao contrário, pois é a consciência que pensa, raciocina, forma ideias, toma decisões e neste caso, ela é a cabeça da existência. É lógico que quem domina uma consciência é a existência, mas quem pensa pela existência é a consciência, e não a existência que pensa pela consciência.

Então, o potro tem a sua força, mas quem o orienta é a flor. O potro anda por onde quer, mas a flor é sensata, por isso permanece no mesmo lugar. Todo homem que ouve a sua esposa, não comete erros, assim como todas as pessoas que ouvem a sua consciência, pelo raciocínio lógico, também não cometem erros. O homem deve ser digno e a esposa honrada, e são destas mulheres que se diz: toda mulher sábia edifica a sua casa, mas a tola a derruba com as suas próprias mãos. Isto porque, quem pensa é a consciência, que faz o papel da mulher.

Por Michele Mi