O ser humano é como um pé de erva, que cresce e floresce sua flor, a consciência tão singela, capaz de conhecer o amor. Brotou tão verdinha e no seu tempo desabrochou, na estação correta da vida, estabelecida pelo Criador. E era na flor da idade o momento mais oportuno, para buscar a verdade e encontrar em si mesmo o rumo, mas o mato a sufocou e as ervas daninhas alastraram na terra, tornando-as pétalas sem cor, entristecendo a primavera. Não entendeu a metáfora que o girassol lhe ensinou, não buscou abrigo em seu sol, a luz da vida que em ti raiou. Assim estão as almas, apagadas, em tons fúnebres, enraizadas ao que fenece, e o peito frio não se aquece. Não receberam as chuvas celestiais, as palavras que saciam nossa sede, nutrientes com poder de fortificar e curar todos os males da mente.
O jardineiro triste lamentou ao ver o desvio que aconteceu, a principal criação não vingou, e o jardim que era para ser colorido com a vida, pereceu. Mas se quiseres colorir-se, há dentro de ti a vida, deixe-a conduzir-te, banhe-se em sua sabedoria, com o tempo as pétalas mudarão o tom, a luz a tornará furta-cor, os pássaros felizes ecoarão o som, anunciando a beleza do amor.

Por Michele Mi