Livre, voa sem temer a queda, sem fundamento em suas regras, sem noção de sua altura, sem percepção de suas asas. Apenas quer alcançar o céu e voa com a fé de que chegará. Mas, quando finalmente enxergar a verdade, verá que sua liberdade era condicional, pois nunca deixou de ser prisioneiro do sistema mundano. A vida, sim, é livre; e, quando a consciência acorda de suas fantasias, desperta deitada e acorrentada, vendo suas asas partirem e voltarem para o Senhor. Para alcançar o céu, há fundamentos estabelecidos pelo Senhor; e, quando raciocinada, a consciência adquire todas as regras bem claras para alçar voo e seguir rumo ao caminho da vida. Mas a ilusão deste mundo é prazerosa, pois viver nele da forma que a carne deseja, e ainda ter o que chamam de fé para serem levados ao céu, é muito confortável e agradável aos olhos de todos.
Contudo, na Lei está bem claro que, para ganhar um, deve-se perder o outro, mas ninguém ouve essa parte; usufruem da vida por todo o seu tempo e o gastam da maneira mais vã. Acreditam estar voando alto, mas a realidade é que a consciência está dopada pelas fantasias da carne, afundada em suas próprias mentiras. Assim segue o mundo, correndo em direção à porta larga, sem fundamento do que é a vida e de como conquistá-la. A percepção se perdeu ao longo do tempo; o raciocínio foi destruído pelo desejo; e a vida ficou a desejar. Regras ditas pelo Homem: viver antes de morrer, pois acreditam que, depois da morte carnal, não restará mais nada para aproveitar junto à vida. Mas a verdade é que não a aproveitaram — apenas a usaram. Aproveitam a carne, pois estamos totalmente ligados a ela, e pensam estar vivendo, quando, na verdade, estão cavando suas próprias covas para, no dia da morte, serem enterrados pelos arrependimentos de sua vivência.
Por Luiz Gustavo
Tema sugerido por Régis