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Chorando tuas misérias

Em qual mar te perdeste? Foram tantas noites frias onde o soluço tornou-se visita assídua. O que te corrompeu? Não encontraste resposta para as adversidades que te despistaram. E por que te vendeste? Mesmo não havendo comprador, quem pagaria um mísero tostão por alguém que nem a si deu valor? Tiveste um preço sem muitos dígitos, mas correste atrás dos números infinitos; um poço sem fim, e mesmo assim estavas no fundo do teu próprio poço. Clamas por tua libertação, mas foste tu que o adentrou, sem que ninguém te obrigasse ou te impedisse. O que te aconteceu? Não se sabe, não se vê; mesmo que te cales, dá para te descrever: uma dama da noite que se afoga em um copo, recebeste o açoite merecido em teu corpo.

O que te acometeu? Tuas mãos se desvencilharam do cabresto, fazendo-te perder a direção, e agora, entre cacos e restos, tentaste juntar teu coração. Então te rendeste aos prazeres insanos; à tua alma entregaste tantas dores e prantos. A lacuna fendeu; foste tu quem sofreu o golpe que a ti mesma deste. Chorando tuas misérias, não tiveste cautela: abriste tua janela ao conto da Cinderela. Não percebeste que era um conto, uma ficção sem encontro, sem fundamento; apenas histórias jogadas ao vento, sem nenhum desprendimento. E por isto ficaste tanto tempo sofrendo, sem lenço e sem documento. Perdeste a identidade, a digital da liberdade, e agora parece ser tarde para a alma que foste covarde; não enfrentaste tuas dores nem derrubaste teus gigantes, tu esqueceste das flores e também dos diamantes.

Por Patrícia Campos 🌺

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