As miragens do deserto ofuscaram seus olhos, e hoje o que se vê é somente a falsa sensação de um dia ter enxergado a verdade. E, com isso, carrega uma falsa sabedoria que se disfarça, mas que não passa de uma decoreba. Porque o saber está interligado à busca profunda pela sabedoria, pois ela emana de dentro de cada um que busca no íntimo do seu ser. Mas, nesse quesito, todos a deixaram aquém e acomodaram-se no que descobriram por outrem, e não houve aprofundamento, o verdadeiro descobrimento. Assim, as miragens cegam a visão, deixando-a turva, pois ela não se amplia de modo algum; apenas permanece naquilo que um dia ouviu, mas o auto descobrimento nunca passou pela cabeça e nem sentiu. O caminho da vida exige muita resiliência e pré-disposição por parte de cada indivíduo que se propõe a conhecê-lo e andar por ele, pois não se faz de qualquer maneira.
O que mais pesa é que cada um criou um conceito dentro de si mesmo e segue esse intento, sem ao menos questioná-lo se aquilo lhe trará algum benefício na eternidade. Cada qual moldou o que acha correto e se esqueceu das leis que foram esquadrinhadas por Deus; por isso, foi minguando e perdendo cada vez mais a visão daquilo que é realmente concreto. As miragens do deserto dançam sobre os olhos marejados e cansados, prometendo fontes onde só existe sede e desenhando caminhos onde só há vazio por dentro. O sol do deserto é impiedoso e queima por dentro tudo aquilo que você trouxe como certeza, que foi aos poucos, se dissipando com o tempo. E, nesse intermédio, o silêncio trouxe respostas e, contudo, trouxe um infinito de areia nos olhos, que tamparam sua visão naquilo que um dia seu coração se prendeu, pois há passos que o coração seguiu, acreditando ser destino para a alma, quando na verdade, são apenas óticas de ilusões bem desenhadas pela esperança de encontrar sentido no nada. E assim, entre o real e o imaginário, o ser humano caminha, não em busca do que vê com os olhos do entendimento, mas daquilo em que deseja acreditar para se confortar tanto na sua quanto na miséria alheia.
Por Ítalo Reis