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Perdido em silêncio

Emudeceu a boca e calou-se para refrear o que estava em seu coração. Perdeu-se no silêncio ensurdecedor, carregando um caminhão de sentimentos invisíveis que dilaceraram a alma. Não soube recalcular a rota e enxergar o caminho que estava aberto à sua frente; ficou olhando para fora, para os lados, e perdeu o foco principal, que era cuidar de si mesmo. O silêncio, por muitas vezes, machucou o peito que não compreendeu a hermenêutica da solitude. Pois a confusão mental reprimiu seus passos, e sua boca não conseguiu dizer o que realmente sentia. E, por vezes, aquilo que se cala volta e te ataca, ferindo como um golpe de espada. A verdade nunca pode ser silenciada, mas deve ser exposta para que tudo se ajuste da melhor maneira. Porém, enquanto houver formas de contrariar e maquiar a realidade vivida, nunca se sairá desse ciclo infinito que você mesma criou.

O silêncio não fala, mas grita; não sangra, mas assola; não bate, mas machuca, e a cicatriz fica alojada lá dentro, sem ser curada, pois a qualquer momento em que se mexa, volta a doer. Quem traz as marcas das lutas carrega consigo também as virtudes de quem nunca soube o que é desistir. Pois, mesmo com lágrimas nos olhos, nunca deu vazão ao que poderia te derrubar. E, mesmo que esteja perdido no silêncio, tentando se encontrar, ainda haverá chances reais de reverter. Porque o bloqueio está instalado dentro de você, e é justamente ele que se torna seu vilão, entre quem você mostra ser e quem realmente é por dentro. É nesse ponto que se revela a sua verdadeira identidade, ou se camufla pelo silêncio e continua sendo reprimido por todos à sua volta. E a sua face… ah, ficou lá atrás, guardada a sete chaves. Perdido em silêncio, afogado em pensamentos que ninguém jamais ouviu, a não ser você mesmo e Deus.

Por Ítalo Reis