Vejo a impotência nos olhares diante de tantas ações onde os pés correm e correm; mas, quando alcançam algo, o coração chora por saber que o que foi conquistado terá momentos breves e que, um dia, se aniquilará dentro da alma. Na realidade, as coisas deste mundo nunca preenchem o coração porque são feitas de pó e, assim como o nosso corpo carnal, um dia deixam de ser e perdem o valor. O valor é atribuído somente enquanto estamos aqui, mas um dia nem nós mesmos restaremos, e as coisas deste mundo desaparecerão de nossas vistas porque não teremos mais olhos. Contudo, não são os olhos que dão valor às coisas — embora por eles apreciemos infinitas criações, mas sim as nossas consciências; é por meio delas que tudo se manifesta. Vejo que a maior angústia da consciência é saber que o corpo morre sem saber o que vem depois. Isso a angustia de tal maneira que ela prefere nem pensar. Por isso as pessoas têm tanto medo de falar sobre a morte, pela falta de conhecimento. Não sabem o que estão fazendo aqui e nem para onde vão. A angústia do “não saber” vem justamente dessa lacuna, pois, quando se descobre como as coisas funcionam, tudo se torna claro. Quem anda na luz nada teme, porque enxerga o caminho, discerne os obstáculos e passa por eles de maneira racional.
É de extrema importância compreendermos o nosso papel dentro do propósito de Deus, pois Ele criou todas as coisas para o Seu bem. Nós, como consciências, fomos produzidas justamente para manifestar a existência do espírito — que é a existência de Deus. Se assim fizermos, nos tornaremos eternos; mas, se manifestarmos apenas a carne, obviamente, quando ela cair, ficaremos vazios, sem existência para expressar. Por isso vejo olhares tristes e sem direção. Muitos não sabem o que devem fazer e limitam-se a manifestar a carne que perece. Sentem essa angústia por não realizarem sua verdadeira função: manifestar o espírito. É o pressentimento de que, quando o espírito voltar a Deus e o pó voltar ao pó, a consciência restará vazia. Essa angústia já os habita agora, deixando-os, desde já, desolados.
Por Patrícia Campos
Tema sugerido por Arthur